Minha saúde online – Inveja, quem nunca sentiu?

Se comparar aos outros até certo ponto é normal. Mas quando isso se transforma num hábito constante e a vida do outro passa a ser o foco das nossas atenções e admiração, então é preciso cuidado, pois esse hábito pode nos levar a cultivar um sentimento, que é pouco falado e admitido, “a inveja”.


Quanto mais insatisfeitos e infelizes estamos com a pessoa que somos ou com o que temos, mais estaremos vulneráveis a olhar para o lado e achar que a vida do outro é muito melhor do que a nossa. À partir desse momento é muito fácil passar a desejar aquilo que o outro possui ou levar o tipo de vida que ele leva.


O grande problema é que as pessoas que se acostumam com esse sentimento se esquecem de cultivar os próprios sonhos e de lutar por eles. Elas desenvolvem algumas crenças pessoais que sustentam essa atitude, como por exemplo: eu nunca vou conseguir..., as coisas boas não são para mim..., o outro é melhor do que eu...,etc...


A reação a inveja acontece de formas diferentes e elas dependerão em grande parte das crenças que cada um alimenta dentro de sí. Algumas reações são mais saudáveis e construtivas e outras mais doentias e destrutivas. As reações mais saudáveis são aquelas que fazem com que as pessoas, ao sentirem inveja, se mobilizem e comecem a trabalhar para conquistar aquilo que invejaram. Já as reações mais doentias são aquelas cujo objetivo é destruir o objeto da inveja.


Nesta segunda, as pessoas utilizam diversos artifícios para destruir aquilo que invejam, como: falar mal do outro, minimizar as coisas boas do outro ou simplesmente desejar o mau e torcer para que tudo dê errado na vida dele.


Mas como lidar com a inveja e se livrar dela, se é um sentimento tão negado e feio de ser admitido pela maioria das pessoas?


Uma ótima forma de começar a lidar com a inveja e tentar se livrar dela é reconhecer que ela existe e perceber o que realmente está gerando esse sentimento. Em segundo lugar, tentar identificar o que está faltando ou causando insatisfação. Depois, analisar se aquilo que invejamos é realmente importante para nós ou se está apenas representando alguma outra necessidade. Para isso é preciso distinguir aquilo que realmente queremos e esperamos da vida.


O objetivo de toda essa análise é poder sair do lugar de: “quem sente inveja” para o lugar de : “alguém que vai atrás dos seus objetivos” . Por fim, é fundamental fazer um inventário pessoal sobre o que temos nas mãos: nossas forças, fraquezas, recursos, dificuldades e habilidades ao invés de olhar para o que está nas mãos do outro. É uma total mudança de foco e um realinhamento de expectativas sobre nós mesmos. Muitas pessoas se surpreendem quando conseguem fazer isso, pois redescobrem o seu valor e suas capacidades.


Como seres humanos que somos, admitindo ou não, estamos vulneráveis a sentir inveja. Pois, estar feliz e satisfeito com a própria vida e consigo mesmo o tempo todo é impossível. A vida tem altos e baixos e traz surpresas desagradáveis muitas vezes, nos deixando tristes e fazendo-nos sentir “a pior das criaturas”. Mas, o mais importante acima de tudo é lembrar-se de correr atrás daquilo que faz os nossos olhos brilhar. Pois, quando estamos encantados com as nossas coisas e com a nossa vida, não existe muito espaço para esse sentimento.